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Blog do Serennus
Segunda-feira, Março 28, 2005

Um lugar bom: Bahia. Salvador é cheia de ladeiras e pobreza, mas tem uma energia própria inata a eles. A imagem que tenho é a de um gari esfregando a calçada enquanto dançava. Praias em toda a parte e muito, muito artesanato, museus, teatros e prédios históricos cheios de fachadas antigas belíssimas. Odeie axé music, mas não odeie a Bahia.
O congresso foi organizado sim, se fosse para as mil pessoas esperadas. Mas no sábado tinha mais de duas mil. A comida era ótima e o alojamento, apenas alguns erros crassos na organização dos mini-cursos e das oficinas botaram quase tudo abaixo. Pena.
No EREL participei de um mini-curso, algumas palestras e assisti a um grupo de discussão. Sinto que foi pouco, mas valeram a pena. Conheci muita gente mais veterana que eu e, poxa, mesmo com meu jeito caladão, fiz amizades muito fortes. Como foi bom a minha amiga-mãe-irmã Fabíola ter me feito companhia e ouvido minhas distimias... quero parabenizar as meninas o CA de Letras, que organizaram a viagem e ainda aturaram a gente: Cida, Thenise ( esquenta comigo não, mulé =)), Francisli e o urso Kecu, a trabalhadeira Marcela, Thania (também gosto de tu, menina!), além de Janaína (minha professora de salsa), minhas amiguinhas Manuelle e Adriana, Kayo, Rorigo, Neemias... nossa, e os que to esquecendo agora. Até o ENEL em agosto. Heheh.
...
Viajei no momento exato. Precisava muito olhar a vida de longe e analisar minhas posturas e escolhas de longe. O post anterior é auto-explicativo, é a síntese da minha atitude frente ao mundo. Não usar pessoas é não me vender por hormônios, não usar pessoas como números, como escada, como vingança, para conseguir coisas, para um afeto rápido e vazio. Confirmei que Dyego não trairá quem ama e muito menos a si mesmo.
Talvez relendo isso em 2020 eu dê muitas risadas, mas hoje, esse sou eu.
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Serennus :: 6:00 PM :: :- | Comente aqui.
Terça-feira, Março 22, 2005

Olá. Dyego não usa pessoas.
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Serennus :: 11:13 AM :: :- | Comente aqui.
Sexta-feira, Março 18, 2005

Meu pai já foi. Que bom, ele já foi. seis e vinte-um. Não sei há quanto tempo não falo com alguém. Fiquei feliz de falar com duas amigas pelo MSN e no momento em que deveria ficar mais feliz eu falo demais. Não posso falar. Quando falo dói, alguém se machuca. Por isso guardo aqui, porque só dói em mim. Nem de saudade eu posso mais... nem... Eu queria que tivesse aula hoje, lá tem pessoas.
Sete trinta e três. Kafka só fala e não me ouve, nem quero ver tv. Não há concentramento, nem escrever isso eu devia! Eu sabia que se fosse escrever ele viria. Eu posso me salvar sozinho. Não preciso... eu preciso tanto... é um sono que num passa!
As pessoas dessa casa estão com outras. Eu nunca to com elas. E quando estou com elas, quero ficar só. Dezoito e ainda não... não tenho dinheiro... e há dois que não compro uma roupa pra mim. Estou preso. Sou um criminoso. Desculpa pai, eu não dei certo.
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Serennus :: 8:19 PM :: :- | Comente aqui.
Quinta-feira, Março 17, 2005

Ontem depois da aula fui na casa de vovô. Lá estavam minha mãe, pai e tios. Mulheres vendo novela, proseio com vovô;
- quando casa ein?
- ow vô...
- hahahaha!
Brincamos, contamos piadas, rimos. Minha mãe estava alegre e contou uma piada de velhinhos. Comi bolo.
Na volta brinquei e ri com meu pai.
Foi um dia bom...
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Serennus :: 12:01 AM :: :- | Comente aqui.
Segunda-feira, Março 14, 2005

Poesia é <=> é poesia
Algo inconcreto se apossa do Ser e transborda em iluminação, em numinoso:
Pronto, fiz poesia.
Nunca soube escrever poesia, não as decoro, posso até declamar, mas não,
Se não me pega de jeito não é poesia.
Eu não sei o que é poesia, nem vou dar uma de metalingüístico arrogante dando definições.
O que eu sei é o que não é poesia.
Não é poesia quando não se vê poesia. Poesia é a pessoa quem cria, é a arte, poesia DEPENDE do Ser.
Que se fodam os arrogantes cult que fazem seus grupinhos e que se fecham com eles e sua arrogância do saber do método.
Que se fodam os métodos, as rimas, as métricas, a beleza parnasiana.
Zezé de Camargo.
Poesia é a pedra do geólogo; a vaca indiana; o cometa do astrônomo;
Ogafanhotoemcimadogalhoraspandoaspatasdetrás;
Vê poesia nesse texto? Nesse J que teclei agora?
Não, nunca soube fazer poesia, mas em 2047 eu sempre soube!!
Afinal os 12 centímetros que separam nossas faces e nossos sorrisos psicotrópicos não é poesia?
Mas eu não vou ser metalingüístico.
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Serennus :: 11:00 PM :: :- | Comente aqui.
Quinta-feira, Março 10, 2005

"everybody hurts. Sometime."
Michael Stipe- REM
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Serennus :: 12:37 PM :: :- | Comente aqui.
Terça-feira, Março 01, 2005

"(...) A impossibilidade de uma relação serena teve outro efeito, sem dúvida natural:desaprendi de falar. De qualquer modo, não teria chegado nunca a ser um grande orador, mas a fala comum e fluida teria podido dominá-la. Mas desde muito cedo proibiste-me a palavra; tua ameaça: 'nem uma palavra de protesto' e a mão erguida me acompanham desde esse tempo. Contraí uma maneira atropelada, tartamudeante de falar em tua presença, pois eras um orador quando se tratava em seus assuntos; também isto era demais para ti, de modo que por fim me calei, ao princípio talvez por esperteza, depois porque não podia pensar em conversar quando estava diante de ti. E como eras meu verdadeiro educador, tudo isto influiu sobre a minha vida em geral. (...)"
Kafka, Franz. Carta a meu pai . Martin Claret - pág. 85
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Serennus :: 11:54 PM :: :- | Comente aqui.
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